sexta-feira, 11 de novembro de 2011
terça-feira, 23 de março de 2010
JULIAN CASABLANCAS – PHRAZES FOR THE YOUNG

Com a aura criativa mais que esgotada por parte dos The Strokes, resolveu aventurar-se fora da banda, que nunca mais encontra saída do deserto criativo que atravessa e, em boa hora, o seu vocalista Julian Casablancas fez-se ao caminho.
O resultado é um trabalho bem arrumadinho entre o Rock que caracterizou a banda com o seu primogénito “Is This It” a piscar o olho à dança manchesteriana dos New Order como é exemplo o primeiro single extraído do LP, “11th Dimension”.
THEM CROOKED VULTURES - THEM CROOKED VULTURES

Os fãs do Rock & Roll no seu sentido mais artesanal têm mais um motivo para celebrar. Josh homme dos Queens Of The Stone Age voltou a fazer uma super banda, os Them Crooked Vultures. A banda conta ainda com o sempre companheiro de Josh, Dave Grohl dos Nirvana e Foo Fighters e ainda com a lenda viva, John Paul Jones dos Led Zeppelin. O álbum de estreia, homónimo, reúne 13 temas que embora nada de novo traga ao panorama musical da actualidade, enche as medidas de muitos fãs do rock mais desenvolto e analógico.
SAMUEL ÚRIA – NEM OLHE TOCAVA

“Nem lhe tocava” é o primeiro LP a solo para Samuel Úria e o primeiro da parceria entre a Flor Caveira e a Valentim de Carvalho. A mudança nada de novo nem de mau trouxe à flor Caveira, e assim o músico assina mais um trabalho da editora com a qualidade a que já habituaram os fãs. ‘Nem lhe tocava’ é um disco português, para consumo nacional com doze temas repletos de influências que vão de Jorge palma, Ornatos Violeta até Vitorino.
THE PARLOTONES – A WORLD NEXT DOOR TO YOURS

“A World Next Door to Yours” é o segundo LP para a banda sul-africana do momento, The Parlotones. Com melodias Pop bem rendilhadas ao longo dos doze temas que compõem o álbum, a banda aproxima-se neste registo, a passos largos da sonoridade dos norte-americanos The Killers, contrariando as influências que assumem dos Radiohead, Muse ou The Smiths. Ainda assim, o LP merece uma audição atenta, pois descortina-se nele as relíquias sonoras que justificam o sucesso que vão conhecendo pelo mundo fora.
MISS LAVA – BLUES FOR THE DANGEROUS MILES

Aos primeiros acordes, os Miss Lava apresentam o pavimento onde se movimenta o resto do seu primeiro LP de originais. “Blues For the Dangerous Miles” tem o Hard Rock energético de onde muitas bandas de garagem lapidaram os primeiros movimentos que degeneraram no Nu Metal e Heavy Rock que neste caso se posiciona algures entre o peso dos Paradise Lost e a alquimia dos Kings Of The Stone Age e, que vai ao encontro do bom momento que Portugal atravessa dentro do género de que são exemplo bandas como More than A Thousand.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
ARNALDO ANTUNES – IÊ IÊ IÊ

O Brasil sempre teve um fraquinho pela expressão musical do iê iê iê, quer na sua fase primordial pela mão do galã Roberto Carlos, quer em tempos mais recentes por Carlinhos Brown. a música que muito influenciou o Rock&Roll sempre esteve presente na cultura brasileira. Agora chegou a vez de Arnaldo Antunes com o seu “iê iê iê”, um disco divertido com algumas influências que vão desde os Beatles até ao músico francês Serge Gainsbourg e que também carrega consigo algum do tropicalismo típico dos músicos brasileiros
in mundo universitario
LADY GAGA – THE FAME MONSTER

O tempo natalício chega sempre recheado de edições da dita Pop-cor-de-rosa, e Lady Gaga aproveita a época para lançar no mercado mais um LP, “The Fame Monster”. Um trabalho a seguir as pisadas de Madonna, mas sem que lhe cheire de perto o génio. E, apesar de pessoas como Kanye West acharem o contrário, Lady Gaga fica-se apenas pela atitude de Pop-Star, com mais um trabalho que se gasta à primeira audição.
in mundo universitario
RIHANNA – RATED R

Também ela vivendo mais da imagem que da música propriamente dita, surge no mercado com um LP novo, “Rated R”, da norte-americana Rihanna, este numa toada mais monótona que a de sua cicerone Lady Gaga e com lirismos de amores perdidos e nunca encontrados. Também este registo se esgota à primeira miragem.
in mundo universitario
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
LA LA LA RESSONANCE - UM MURRO NO ESTÔMAGO

Pode-se facilmente chegar à conclusão que os La La La Ressonance são o envelhecimento e enriquecimento da casta The Astonishing Urbana Fall e que, ao segundo registo, ‘Outdoor’, o resultado é uma música adocicada entre o jazz, a pop, o rock e a música experimental. Amanhã dão espectáculo no Teatro Aberto com os Noiserv.
Por Shampo Decapante | info@mundouniversitario.pt
Embora o mercado discográfico já conheça estes aromas musicais em bandas como os Dif Juz, Durruti Column ou os norte americanos Tuxedo Moon, por terras portuguesas há muito que não se apostava em vertentes musicais que explorassem o som de uma forma tão intensa e tão erudita.
É talvez menos experimentalista do que o primeiro registo, ‘Palisade’. Este ‘Outdoor’ é um trabalho onde a banda se autodisciplinou, para introduzir novos elementos sonoros, e para que o resultado fosse um disco mais solto, mais agressivo e onde as sonoridades continuassem a fazer sentido, como explica Simão (baixo eléctrico, acústico e fretless, guitarra eléctrica e acústica, teclas, bateria, percussão, sampling e programações).
«Acho que o primeiro álbum sempre seguiu um pouco essa matéria experimental, neste disco diria que fomos obrigados a disciplinar um pouco isso, havia um espaço mais destinado à improvisação que nesse disco. Teve que ser um bocadinho dominado porque havia essa intenção de incluirmos um saxofone para o qual tivemos que escrever música num sentido mais clássico da escrita da música, talvez até seja menos experimentalista que o primeiro álbum.»
Um disco reguila
O resultado foi uma colheita premium à qual a banda pode vir a dar outro formato no futuro, pois deste engenho sonoro a banda pode não encontrar um lar fixo, outras correntes podem vir a ser exploradas. E tal como a banda evoluiu de uma banda de estúdio para uma banda de palco, os registos em estúdio também conhecem uma mutação, embora carreguem sempre os genes dos registos anteriores. Simão explica: «O que mais nos agrada talvez seja mesmo isso, esse discurso directo, esse murro no estômago que este disco tem e que o primeiro não tinha - era mais abstracto, muito irónico, mais misterioso. Este disco é um bocadinho o irmão gémeo reguila do primeiro, é um disco mais maroto, mais sugestivo até mais transgressor em alguns aspectos, esse é o ponto forte para nós.»
A mensagem possível
A mensagem musical nem sempre tem que ter algum sentido em concreto, e num álbum que contempla apenas temas experimentais, a mensagem pode ser meramente artística. «Uma mensagem directa diria que não, mas claro que existe uma mensagem, essencialmente abstracta e artística, não há propriamente nada que queiramos dizer em discurso directo. Mas a mensagem também pode estar na amálgama de destroços que a banda monta como peças de lego e na qual busca um sentido musical onde se possam identificar.»
Que som é este?
Os elementos da banda falam linguagens diversas. «Há gente de um universo de música erudita, do jazz ou do rock, há grande estouro e depois o que tu vês é um incêndio e respectivos estilhaços e tentar perceber onde é que está o Opel, o Volkswagen ou o BMW. Está tudo misturado e é difícil nesse sentido definir a banda.» A gestão desta fusão musical passa por uma expansão para a qual os La La La Ressonance mostram ter o radar afinado, e um lugar de destaque e sem grande concorrência no actual panorama nacional.
in mundo universitario
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Koko Von Napoon

Uma calma, aparentemente clerical, sopra novamente por entre os campos Elísios. Oriunda talvez dos suados braços de Quasimodo a agitar os badalos dos sinos do campanário da catedral de Notre Damme ou provavelmente das centenas de esplanadas que Paris veste de manhã à noite e onde escritores, boémios e músicos nascem, ou nasceram para o mundo. Desta feita, a Gália serve-nos com esta aragem uns mancebos que dão pelo nome de Koko Von Napoon.
Esta brisa deixa um rasto indelével de pós-punk embutido em new-wave. Como um templário, este vento ganha aforismos de pop-rock que aos poucos ajoelha sua armadura no solo gaulês e, lembra o outrora sagrado solo, rendido ao catolicismo que agora esquece a extrema unção aplicada por Urdezo ao herói de BD Asterix e, ignorando esse tiro no pé, prepara-se para exportar uma nova e sublime mensagem para o mundo.
Os Koko Von Napon têm na formação três embriagadas damas das camélias e um Alexandre Dumas filho, Toupie, Renarde, Kokoboy e Kiddo de baptismo. Estes novos Gavroche da pop francesa compactam agronomicamente as raízes do neo-punk a um electro-soft-rock, numa boda em jeito de luxúria. Ressuscitando mesmo a loucura perdida de Nina Hagen numa noite de núpcias, onde velha punk star é desflorada por um novo mundo, que gira eternamente em volta do velho.
Esta Nouvelle Vague labiríntica, poderá vir da perdida claustrofobia Manchesteriana, onde a gélida e defunta indurtria sonora deixou raízes para a nova irredutível pop gaulesa, ou até mesmo do frenético beat latino dissimuladamente usado no indie-rock norte-americano dos anos 80. Na audição do seu homónimo e primeiro EP, tudo isto se junta a um sentido musical subliminar como em «Agence Blady Trailer», música a roçar o triste glamour dos Human League pulverizando uma batida em jeito de escárnio dos Spectrum ou ainda, parindo um David Byrne efeminado, a amamentar uns Talking Heads de saias e de corpetes electro trajados.
Bem trajado aparece também «Rocky», uma elegia vocal à Santo Gold, numas passadas largas de Lenne Lovich e que se repetem em «Baden Baden» mas acentuando também a mecânica soul do “Power Corruption & Lies” dos New Order, banda que volta a influenciar os Koko Von Napoon com o seu primogénito “Movement” no tema «JonBon». Uns sintetizadores beatos abrem o single «Polly» e marcam o tema em definitivo numa clara alusão ao fantástico universo dos Suicide, nadando um pouco no stereofonismo dos Ladytron e relembrando o futuro previsto por Ridley Scott em “Blade Runner”, onde Vangelis tropeçou numa inspirada obra que lhe valeu pela vida.
Esta banda acaba por ser uma espécie de rebento fresco, à deriva num ramo da árvore genealógica da música pop e regurgitada de uma neblina aferida na gélida ilha britânica. Até o tempo parece congelar na aparente estagnação de que vive a nova pop, mas a verdade é que deste entupimento têm surgido verdadeiras obras-primas. No primeiro trabalho esta banda promete ser uma dessas novas coqueluches que se ajeitaram ao novo milénio, com a roupa que os pais vestiram.
in rua de baixo
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
ENTREVISTA JOSÉ BELO / MAGAZINO - BLOOP RECORDINGS

A Tagus e o Mundo Universitário, juntaram-se para a festa “Momentos de Pura Verdade” que se vai realizar na quinta-feira 26 de Novembro no LX Factory.
Para animar a festa a cabine de som recebe dois DJs da Bloop Recordings, José Belo e Magazino. Habituados a este tipo de acontecimentos, os Djs falaram da Bloop Recordings, da sua carreira pessoal e levantaram um bocadinho o véu do que promete ser uma noite bem quente.
Como surgiu a Bloop Recordings? Como entraram nela?
José Bello | A Bloop surgiu em 2007 como parte do universo da Lopo Recordings, editora de que era dono, a par do Rui Miguel Abreu e do D-Mars, e que lançou coisas como o “Beats Vol. 1” do Sam The Kid, o álbum de estreia dos Vicious Five ou o disco de Rocky Marsiano. A Bloop, entretanto, chega a um ponto de crescimento que justifica a sua autonomia e assim foi, ficando eu como responsável pela Bloop. Assim, convido o Magazino e o João Maria para se juntarem à equipa e a Bloop, como existe hoje, acontece.
Magazino | Entrei para a Bloop no início de 2009 a convite do José Belo que foi um dos fundadores.
Em termos de som, o que trouxe esta etiqueta de novo aos vossos sets? Mudaram muito o som que passavam?
J.B | A editora é reflexo do que nós somos enquanto DJs. Muitas das vezes, o que fazemos para escolher temas é perguntar-nos a nós mesmos se tocaríamos o tema ou não nos nossos sets. Há excepções, música que por si só vale o direito de admissão. Oportunidades como a edição comemorativa dos 20 anos do “Querelle” dos Pop Dell’Arte, que fizemos juntamente com a banda, são oportunidades a que a Bloop nunca vai dizer que não. Não é House ou Techno? Pois não, mas é música. E da boa. E é isso que nós queremos fazer da Bloop, uma editora onde, se tudo correr bem, volta e meia conseguimos editar um disco que fique para lá do típico sabor do mês. Acho que já editámos coisas como o “I can’t stop loving you” do Anonym ou o “Heart in hell” do DJ W!ld que, tenho a certeza, são temas que daqui a uns tempos continuarão a fazer sentido. Mérito total de quem os faz e sorte a nossa de os ter na Bloop.
M | O som da etiqueta somos nós que o escolhemos. Não mudei em nada o som que passava, house/techno 4 por 4 .
Como começaram a vossa carreira? Para além do DJeing, têm mais alguma actividade relacionada com a música, como a produção por exemplo?
J.B.| Eu comecei a minha carreira na pista de dança. Acho que foi por ter passado tanto tempo na pista que e deu vontade em estar do outro lado. Claro que a isto se aliou uma paixão enorme por música. Não era só música de dança, gosto de muitas outras coisas, entre o jazz e o rock psicadélico dos Sixties. Como também gosto daquele rock xaroposo que marca os anos 80, foleiradas que são guilty pleasures assumidos e cantados em voz alta. Estou a começar a dar passos na produção, depois de ter editado uma remistura a meias com o Marko Roca na Bloop e outra remistura com o Sonodab na Hypercolour. Mas está na altura de fazer coisas sozinho e acho que para o ano vou conseguir editar algumas das coisas que estão neste momento a ser construídas.
M | Comecei numa discoteca em Setúbal em 1994 ( Clubissimo) . Produzo e sou editor discográfico.
Qual o sitio onde já tocaram que mais vos marcou? Preferem tocar em pequenos clubes com um relacionamento mais intimista com o público, ou preferem as grandes festas?
J.B. | Tocar para muita gente é óptimo, tens sempre bons sistemas de som e boas condições. E há força nos números sempre. Nunca consegues é aquele contacto com as pessoas, olhos nos olhos, que consegues num clube. Gosto muito de tocar no Europa, em Lisboa, onde sou residente. É o clube onde me sinto em casa, onde posso tocar como gosto e me apetece. E clubes como o Gare, no Porto, e o Lux, em Lisboa, claro. São clubes totalmente virados para a música de dança e com pessoas à frente que, felizmente para nós, sabem dar valor àquilo que a Bloop tem conseguido fazer. Por isso, tocar lá e para aquele público, é óptimo.
M | Clube que mais me impressionou, o Rex em Paris e o D-Edge em São Paulo. Gosto de tocar em clubes e festivais embora em 100 gigs prefira fazer 90 em clubes e 10 em bons festivais.
Que tipo de som podemos esperar para a festa de aniversário do MU, reservam-nos algumas surpresas?
J.B.| A música de dança anda e quer-se divertida e ando a divertir-me muito com a música de dança como ela está. Que quem me ouve, também se divirta, e temos a noite perfeita.
M.| Toada mais tecky que o normal.
in mundo universitario
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
MANDO DIAO – GIVE ME FIRE!

Ao quinto registo, a banda sueca chama até si um Rock com uma atitude mais de dança, mas ainda assim a banda não consegue contemplar de perto o trabalho de bandas como os Franz Ferdinand ou dos seus conterrâneos The Hives.
O single “Dance With Somnebody” é atropelado por uma vocalização sufocante onde Gustaf Norén acaba mesmo por destruir um tema, que poderia ser interessante. Fica no entanto a ideia de que se metade do disco fosse submerso, os Mano Diao poderiam tirar de “Give Me Fire!”, um EP razoável.
in mundo universitario
LAIA – VIVA JESUS E MAIS ALGUEM

Um magnetismo experimental e bem projectado, marca este azulejo em jeito de aleluias rockeiras. A dupla Hélder Almada e Milton Castro profetizam os versículos de os Laia, num excelente disco Rock sem grandes pretensões de virtuosismo Pop. Quase todo ele instrumental, “Viva Jesus e Mais Alguém” marca uma lembrança do mundo do “Beaster” dos Sugar com alguns riffs de guitarra a lembrar a membrana sonora dos Sonic Youth, e a dos velhinhos portugueses, Santa Maria Gasolina Em Teu Ventre.
in mundo universitario
AS 3 MARIAS – QUASE A PRIMEIRA VEZ

Se fecharmos os olhos para imaginar um casamento orgânico entre o Tango, o Flamenco e o Fado, acabamos por entrar no mundo de As 3 Marias. No seu primeiro ensaio, “Quase a Primeira Vez”, a banda dá primazia ao formato de tango canção, o qual por vezes é bem suportado por Boleros a marinar numa voz que se balança entre o Fado e as Sevilhanas. O LP de estreia, oscila entre alguns momentos de inspiração, e outros de profunda melancolia dispensável, o LP sai para a rua no dia nove de Novembro.
in mundo universitario
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
KINGS OF COVINIENCE - CRITICA CONCERTO

Noruegueses que comem Muamba e cantam em português
Um pelotão de garrafas de sumo, emanava peneiras por uma vitrina polida por mãe extremosa, desviando o olhar da amálgama de papel amarrotado e sinistrado em cima de uma mesa. O tempo reclamava por mim e descosi os presuntos da cadeira que, como notas de música fora de tom, rapidamente cruzaram a fogueira de vaidades que enfaixava a porta do Coliseu de Lisboa, para me alinhar num camarote onde as vistas se alinhavam em conformidade com as luzes da sala.
Por Shampo Decapante | info@mundouniversitario.pt
Um casal solicitava o sossego que a minha caneta não vazou, e bem confortável vislumbrei os últimos suspiros de Javiera Mena, de quem nada conhecia. Uma tranquilidade de solstício desabava em Castelhano, confundindo os pirilampos apontados às coxias onde os camareiros largavam o público, faminto dos acordes dos Kings of Convinience e, que também ainda ouviram as insonsas melodias caídas de uma voz sofrível que arrecadou unas palmas para celebrarem o fim.
As luzes deram então vida à sala e testemunharam uma casa já bem composta para receber o duo norueguês.
Pouco iluminado sobre o trabalho dos Kings of Covinence, um carrapato fazia-me comichão e levava-me a enfrentar esta crónica com uma leve sarna que levemente me incomodava o pensamento, mas lá avancei. Com a sala já repleta e com o camarote mais composto, vesti-me para a contenda, a batalha entre a caneta e a solicitude norueguesa ia começar.
A afinada máquina acústica requisitava num altifalante que a sua posteridade só fosse guardada depois de quarenta minutos de espectáculo mas, o único espectáculo que se assistiu neste sentido foi a incómoda presença a todo o tempo de flashes e incómodos telemóveis a filmar a banda. A simpática personalidade do carismático Erlend Øye, quase que saiu do sério perante a persistência parola nestas novas tecnologias por parte de algumas pessoas na assistência.
«You are two many people. We are only two people...» – rematou Eirik Glambek num tom irónico, logo no primeiro de muitos contactos com o público. E a banda avançou para uma plácida primeira parte, na qual enfrentaram o coliseu sozinhos armados apenas com as suas guitarras clássicas. A banda relembrou temas como “Power of Not Knowing”, “Homesick” num sincronismo romântico que Portugal bem conhece e, reconhecimento agradecido pela banda a lembrar que era a quarta vez que actuavam em Lisboa, contra apenas três feitas em Oslo, capital da Noruega e país natal do duo, e uma em Madrid. Também foi nesta primeira parte que o duo começou a lançar temas do seu mais recente trabalho, “Declaration Of Dependence”, do qual se destacou o tema “Rule The World” e que foi tocado já com o violinista italiano, David, e o contrabaixista alemão, Tobias.
E foi neste tema que aconteceu o momento mais caloroso da noite. Erlend Øye, ainda não refeito da Muamba que a banda havia ceado ao almoço, armou uma boa caldeirada ali mesmo em palco, ao convidar o público a juntar-se ao duo que se havia tornado num quarteto para com ele dançarem em palco. Este momento muito lembrou os carismáticos concertos dos The Smiths, onde o público deambulava por entre o Morrissey e o Johnny Marr numa altura em que ainda viviam felizes.
O concerto acabou sobre uma forte ovação, que foi uma constante no decorrer do espectáculo, mas para o encore, o duo tinha guardado momentos que se tornariam únicos e históricos. Subiu ao palco sozinho Eirik Glambek Bøe para numa voz ingénua a cantar em português enrolado o Corcovado de Tom Jobim, ao qual se juntou no fim Erlend Øye para o acompanhar com um muito aplaudido trompete vocal. Seguiu-se o inevitável “Cayman Islands”, e a presença em palco terminou com uma homenagem ao Henry Mancini com o"Pink Panther Theme" e a Bob barley com o “Get up, Stand Up”.
Finda a actuação, a noite semi-fria de Lisboa esperava pelo público, que havia assistido a mais um grande momento deste simpático duo norueguês, que continua a agradar por terras lusitanas.
IN MUNDO UNIVERSITARIO
sábado, 7 de novembro de 2009
Music Go Music - O novo sonho americano.

Os Music Go Music, banda de L.A. Califórnia, acabaram de editar o seu primeiro trabalho “Expressions” nos Estados Unidos da América. Reunidos em volta do conceito de unidade musical e irmandade enquanto banda, este trio segura-se ao presente com tópicos bem antigos. O LP traz nos temas muitos músicos convidados e velhos fantasmas da Pop, do Rock, do Electro e do Disco-Sound a lembrar as idas épocas das sonoridades analógicas.
O sonho americano sempre se materializou mais facilmente na costa leste, nas quentes terras costeiras do sul da Califórnia onde as praias disfarçam a falta de talento a muitos canastrões e, onde nove letras acesas num monte servem de estrela guia a reis e servos da gleba.
L.A. sempre foi a cidade por excelência dos grandes actores de cinema, das grandes estrelas Rock & Roll, dos escritores novelescos de TV e até de proxenetas culturais, mas agora com os Music Go Music talvez se tenha aberto um nicho no deserto para as vedetas POP, pois é isso que Gala Bell, Kamer Maza e TORG são: uma banda com influências sarcásticas do frio nórdico europeu materializado nos anos 70 pelos Abba.
A música dos Music Go Music, dificilmente se encaixaria na banda sonora de Beverly Hills 90210 e os seus membros estão longe de se rever na sátira rockeira de “Californication” dos Red Hot Chili Peppers.
A banda apresentam-nos mesmo uma Califórnia rendida aos caprichos dos encantos da simplicidade da música como é exemplo o tema “Just Me” onde se vêm no vídeo os três membros do grupo ao lado dos quatro músicos convidados, Abi Gold, Lilith Fayre, A.S., & Haavik, trajados de um hippieismo pós-moderno a calcar nas colunas as bases mais simples do bê-á-bá da pop.
E realizando mesmo o impossível flirt de Kate Bush com os Erasure, chegamos a “Light Of Love”, primeiro single de “Expressions”, e que é o tema mais Abba, na voz, no piano, na guitarra e no ritmo e, música onde a banda se assume filha da velha matrona banda sueca.
No “Warm In The Shadows”, tema a citar o velho mundo de Donna Summer entre um Rock macio e um disco sound alternativo, a banda faz uma incursão de bom gosto às tabelas de dança dos anos 70 e culmina a dança com um refrão saudosista e delicioso.
Já o tema “Reach Out”respira o psicadelismo “Jesus Christ Superstar” rezando ao pedestal do Rock progressivo caído da banda sonora dos “Morangos Silvestres” de Ingmar Bergman. Fulminando mesmo as tripes ancestrais que vivem nos anais dos neurónios queimados de nossos antepassados, para dar vida a rituais de convívio mais em voga.
Depois temos Um Gospel electrico que serve de portal a “I Walk Alone” para uma odisseia pedante pelos caminhos palmilhados pelos The Carpenters ou The Supremes, com a curiosidade de neste tema, a banda parecer ter a voz de Jimmy Summerville enclausurada num canto remoto dos altifalantes.
Estas são as profecias que se podem escutar no Myspace da banda onde também se podem ver dois vídeos, já que o LP editado nos Estados Unidos só deverá chegar ao país das cinco quinas lá para o final do ano na melhor das hipóteses.
“Expressions” é composto por nove temas, todos eles a evocar do alto do púlpito o memorial do anti-sedentarismo de uma corrente que não pertence a ninguém. Pois a música POP é pária. Pode chegar da Austrália na base do planeta, da cabeça Manchester ou da cintura Califórnia onde os emergentes filhos de uma geração de difusos marginais, que saíram do nomadismo Hippie no famoso concerto dos Depeche Mode no Hollywood Bowl no longínquo anos de 1986, surgem agora para se imporem como esguios gatos da POP reciclada e transformada à velha máxima Peace & Love.
in rua de baixo
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Arctic Monkeys – Humbug

Um pouco arredados da irreverência juvenil com que se estrearam no ano de 2008, os Arctic Monkeys surgem agora como uns rapazolas mais adultos no terceiro LP de originais, ‘Humbug’.
A banda tem-se afirmado como uma das protagonistas do melhor pop rock da actualidade e este novo disco continua o caminho de um grupo, que em registos discográficos, concertos e também na meteórica ascensão ao sucesso que conseguiram, vai fazendo história na música britânica.
In mundo universitario
A.O.K. - Angry Odd Kids

Os A.O.K., Angry Odd Kids, lançaram a 6 de 0utubro o seu primeiro e homónimo LP onde cantam em português sobre um Hard Rock norte-americano, já quase extinto no país de origem, e que sobreviveu nas épocas de 80 e 90 em bandas como os Ugly Kid Joe e os Green Day.
Fora de tempo e fora do lugar, esta ideia até pode ser nova por terras lusas, mas a verdade é que o projecto, trazido de Miami (Flórida) por Carlos Teixeira dos Fonzie, usa uma fórmula já demasiado ouvida por este mundo fora e consequentemente nas tabelas nacionais.
in mundo universitario
OIOAI – Pela Primeira Vez

Os OIOAI são mais uma das muitas bandas influenciadas pelos pais do Rock Português, Xutos & Pontapés, e contam também com algumas influências dissimuladas de Sérgio Godinho, Jorge Palma entre outros.
O LP ‘Pela Primeira vez’ é o segundo da banda e vai numa corrente musical já muito gasta e explorada que nada de novo traz à música portuguesa. As melodias demasiado óbvias fazem-se acompanhar por alguma literatura de apeadeiro onde pombas e espingardas acenam a infantados que aspiram por melhores dias.
IN MUNDO UNIVERSITARIO
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