sábado, 7 de Novembro de 2009

Music Go Music - O novo sonho americano.


Os Music Go Music, banda de L.A. Califórnia, acabaram de editar o seu primeiro trabalho “Expressions” nos Estados Unidos da América. Reunidos em volta do conceito de unidade musical e irmandade enquanto banda, este trio segura-se ao presente com tópicos bem antigos. O LP traz nos temas muitos músicos convidados e velhos fantasmas da Pop, do Rock, do Electro e do Disco-Sound a lembrar as idas épocas das sonoridades analógicas.

O sonho americano sempre se materializou mais facilmente na costa leste, nas quentes terras costeiras do sul da Califórnia onde as praias disfarçam a falta de talento a muitos canastrões e, onde nove letras acesas num monte servem de estrela guia a reis e servos da gleba.

L.A. sempre foi a cidade por excelência dos grandes actores de cinema, das grandes estrelas Rock & Roll, dos escritores novelescos de TV e até de proxenetas culturais, mas agora com os Music Go Music talvez se tenha aberto um nicho no deserto para as vedetas POP, pois é isso que Gala Bell, Kamer Maza e TORG são: uma banda com influências sarcásticas do frio nórdico europeu materializado nos anos 70 pelos Abba.

A música dos Music Go Music, dificilmente se encaixaria na banda sonora de Beverly Hills 90210 e os seus membros estão longe de se rever na sátira rockeira de “Californication” dos Red Hot Chili Peppers.
A banda apresentam-nos mesmo uma Califórnia rendida aos caprichos dos encantos da simplicidade da música como é exemplo o tema “Just Me” onde se vêm no vídeo os três membros do grupo ao lado dos quatro músicos convidados, Abi Gold, Lilith Fayre, A.S., & Haavik, trajados de um hippieismo pós-moderno a calcar nas colunas as bases mais simples do bê-á-bá da pop.

E realizando mesmo o impossível flirt de Kate Bush com os Erasure, chegamos a “Light Of Love”, primeiro single de “Expressions”, e que é o tema mais Abba, na voz, no piano, na guitarra e no ritmo e, música onde a banda se assume filha da velha matrona banda sueca.

No “Warm In The Shadows”, tema a citar o velho mundo de Donna Summer entre um Rock macio e um disco sound alternativo, a banda faz uma incursão de bom gosto às tabelas de dança dos anos 70 e culmina a dança com um refrão saudosista e delicioso.

Já o tema “Reach Out”respira o psicadelismo “Jesus Christ Superstar” rezando ao pedestal do Rock progressivo caído da banda sonora dos “Morangos Silvestres” de Ingmar Bergman. Fulminando mesmo as tripes ancestrais que vivem nos anais dos neurónios queimados de nossos antepassados, para dar vida a rituais de convívio mais em voga.

Depois temos Um Gospel electrico que serve de portal a “I Walk Alone” para uma odisseia pedante pelos caminhos palmilhados pelos The Carpenters ou The Supremes, com a curiosidade de neste tema, a banda parecer ter a voz de Jimmy Summerville enclausurada num canto remoto dos altifalantes.
Estas são as profecias que se podem escutar no Myspace da banda onde também se podem ver dois vídeos, já que o LP editado nos Estados Unidos só deverá chegar ao país das cinco quinas lá para o final do ano na melhor das hipóteses.

“Expressions” é composto por nove temas, todos eles a evocar do alto do púlpito o memorial do anti-sedentarismo de uma corrente que não pertence a ninguém. Pois a música POP é pária. Pode chegar da Austrália na base do planeta, da cabeça Manchester ou da cintura Califórnia onde os emergentes filhos de uma geração de difusos marginais, que saíram do nomadismo Hippie no famoso concerto dos Depeche Mode no Hollywood Bowl no longínquo anos de 1986, surgem agora para se imporem como esguios gatos da POP reciclada e transformada à velha máxima Peace & Love.

in rua de baixo

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Arctic Monkeys – Humbug


Um pouco arredados da irreverência juvenil com que se estrearam no ano de 2008, os Arctic Monkeys surgem agora como uns rapazolas mais adultos no terceiro LP de originais, ‘Humbug’.
A banda tem-se afirmado como uma das protagonistas do melhor pop rock da actualidade e este novo disco continua o caminho de um grupo, que em registos discográficos, concertos e também na meteórica ascensão ao sucesso que conseguiram, vai fazendo história na música britânica.

In mundo universitario

A.O.K. - Angry Odd Kids


Os A.O.K., Angry Odd Kids, lançaram a 6 de 0utubro o seu primeiro e homónimo LP onde cantam em português sobre um Hard Rock norte-americano, já quase extinto no país de origem, e que sobreviveu nas épocas de 80 e 90 em bandas como os Ugly Kid Joe e os Green Day.
Fora de tempo e fora do lugar, esta ideia até pode ser nova por terras lusas, mas a verdade é que o projecto, trazido de Miami (Flórida) por Carlos Teixeira dos Fonzie, usa uma fórmula já demasiado ouvida por este mundo fora e consequentemente nas tabelas nacionais.

in mundo universitario

OIOAI – Pela Primeira Vez


Os OIOAI são mais uma das muitas bandas influenciadas pelos pais do Rock Português, Xutos & Pontapés, e contam também com algumas influências dissimuladas de Sérgio Godinho, Jorge Palma entre outros.
O LP ‘Pela Primeira vez’ é o segundo da banda e vai numa corrente musical já muito gasta e explorada que nada de novo traz à música portuguesa. As melodias demasiado óbvias fazem-se acompanhar por alguma literatura de apeadeiro onde pombas e espingardas acenam a infantados que aspiram por melhores dias.

IN MUNDO UNIVERSITARIO

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

BATIDA - Danças Modernas Em Ritmos Antigos


Dos arquivos da música tradicional nacional angolana nasce, entre Luanda e Lisboa, um projecto que tira das ruas da capital africana uma sonoridade marginal. Esse movimento musical chama-se batida e dá o nome ao projecto que nasceu nas colunas da Antena 3, no programa ‘Fazuma’ pela mãos de Pedro Coquenão (DJ Mpula), Bruno Lobato (Beat Laden) e Luaty Beirão (Ikonoklasta).

Por Shampo Decapante | info@mundouniversitario.pt

A aventura na rádio começou a tomar contornos de projecto e o salto até ao disco, que mistura velhos ritmos africanos como o Semba e o Merengue a ritmos de dança contemporâneos como o Kuduro, aconteceu naturalmente. Os alicerces já tinham sido montados em África em jeito de compilações distribuídas pelas ruas de Luanda e tudo o resto aconteceu num ensaio para uma emissão de rádio ao vivo como conta Pedro Coquenão.
«Nasceu de um sistema sonoro que íamos ter na Casa da Música. A Rádio Fazuma às vezes actua num formato de emissão de rádio ao vivo e, como eu faço o programa num software que também dá para fazer música, naturalmente numa das vezes que estava a fazer um programa comecei a misturar uma batida que já existia, comecei a transformar uma música antiga e a incorporá-la num beat mais electrónico e num desses ensaios do sistema sonoro, meti esse beat a tocar e toda a gente reagiu muito bem.»

Raízes africanas
A viagem da música segue sempre nas pisadas do êxodo humano. A marca humana pode desaparecer indelevelmente, mas a da música poderá ser eterna. E, por vezes, basta uma memória para trazer de volta aquele som, neste caso pelo trabalho dos filhos de uma geração que ouvia os velhos ritmos angolanos, e que agora vive em Lisboa ou ainda em Luanda.
«A maior parte dos elementos do projecto cresceram a ouvir esta música. Era a música que os nossos pais ouviam e é a música que esteve sempre lá de fundo. Não somos propriamente conhecedores, mas somos pessoas que cresceram com ela.»

Primeira paragem: Brasil
Os Batida podem ser músicos, mas também podem ser arqueólogos a decifrar as descobertas ancestrais a montante e a moldá-las aos tempos modernos e aos seus descendentes directos como aconteceu no Brasil. Foi lá que os Batida se estrearam em concertos ao vivo.
«O concerto do Brasil foi muito fácil, quando é fácil é bom sinal. Nós entrámos e já estava toda a gente doida desde o primeiro instante. O concerto acabou e ainda estava tudo doido a dançar. Houve uma reacção instintiva ao beats. O Brasil tem relações muito fortes com África, relações históricas. Muitas das pessoas que lá vivem são descendentes directas de africanos, têm um diálogo grande ali com o outro lado do Oceano onde está Angola, então parece que as pessoas, mesmo sem pensarem nisso, reagem aos ritmos como se já os conhecessem há muito tempo, e têm uma curiosidade muito grande em relação a tudo o que venha de África e de Angola. Então tivemos uma recepção muito fixe por parte do público.»
Os Batida tocaram ainda na Holanda e na Bélgica onde também tiveram grande sucesso, apesar das diferenças culturais. E em Portugal onde acabaram de lançar o disco que promete meter muita gente a dançar nos tempos vindouros

IN MUNDO UNIVERSITARIO

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Yacht - Astronautas Indie-Rock.


Existindo desde o ano de 2002, os Yacht (Young Americans Challenging High Technology) oriundos de Oregon nos Estados Unidos da América, editaram o seu quarto LP “See Mystery Lights” como um duo, depois do músico dos The Blow, Jona Bechtolt ter recebido no projecto Claire L. Evans, uma visionaria fã de Artur C. Clark, escritor que reinventou a ficção cientifica criando virtuais sociedades futuras e mundos paralelos ao nosso.

“See Mystery Ligths”é uma viagem ao paranormal ao estilo ficheiros secretos mas com uma banda sonora a roçar os classificados documentos dos A Certain Ratio, Tom Tom Club entre outros.

A banda foi buscar o nome para o LP a uma estranha ocorrência de luzes, que ficou conhecida como “Gosth Ligths”, no ano de 1957 nos céus de Marfa, Texas, um contacto do outro mundo ou um simples fenómeno como uma Aurora Boreal que nunca ficou explicado.

O primeiro sinal alienígena “Ring The Bell” ouvem-se umas batitas solarengas sobre o que parece ser um adufe árabe e uma pergunta que fazemos toda a vida, se não formos agnósticos, “will we go to heaven, will we go to hell?”.

Na primeira comunicação com mundos exteriores temos então uma pergunta muito terráquea, que se mantém em “The After Life”, segunda música a lembrar o hipnótico mundo da banda órfã de David Byrne, os Tom Tom Club, é como se estivéssemos a receber um sinal que afinal terá sido enviado por nós num passado recente.

O sindroma Voyager sofrido na serie Star Trek, o retorno do contacto enviado, continua em “I`m in love with a ripper”, um som numa galáxia Colorbox a implodir e a pulsar na cadência ritmada da 4AD dos anos 80.

O apelo ao contacto torna-se desesperado em “It`s boring / you can live anywhere you want” onde Jona Bechtolt canta a sua condição de prisioneiro, enclausurado num planeta onde os Velvet Underground e Iggy and the Stooges lhes legaram o som que serve de base ao desabafo.

Chegamos então a “Psyshic city / Voodo City”, uma cidade embutida num acorde de guitarra minimalista que convive na perfeição com um baixo Surf-Rock à Beach Boys e com uma sensual e apelativa voz a gozar com um qualquer quotidiano babilónico.

Este tema foi escrito por Rich Jensen, amigo e fã da banda, e pode-se ouvir o original que é apenas a uma só voz e sem instrumentos, no Blogue do Myspace dos Yacht.

Com as guitarras de lado, a banda escreveu “Summer Song”, tema dedicado aos LCD Soundsystem, duo com quem andaram em digressão antes de assinarem pela DFA Records, editora que lhes abriu portas a mais concertos e a uma maior exposição.

Em “Summer Song” acendem-se as luzes da editora Play´it Again Sam adocicando o arsenal dos Front 2.42 a um funky espacial.

Ao quarto LP os Yacth afirmam ter encontrado o seu rumo na música, nunca tendo-se identificado muito com a música de dança, Jona Bechtolt afirma ser este o caminho a percorrer pela banda norte-americana, uma viagem ao Indie-Rock entre o caos e o cosmos sonoro.
E se Bill Watterson escreveu numa tira do Calvin and Hobbes que (A prova de existir vida extra terrestre é o facto de nunca nos terem visitado), podemos agora fechar os olhos e escutar os sons de “See The Ligth” e acender uma lanterna ao firmamento para pacientemente esperar-mos pelo contacto, que mais cedo ou mais tarde virá, se já não andar entre nós…

In Rua De Baixo

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

OLGA – LA RÉSISTANCE


“Lá Résistance” dos Olga é dos mais interessantes discos portugueses a chegar ao mercado no ano de 2009. Seguindo uma linha Rock com base nos anos 70, o trio de Lisboa também recebe influências mais actuais como a dos Broken Social Scene ou até Grant Lee Buffalo.
Existindo desde 2001, inicialmente com quatro elementos, os Ölga haviam editado nesse mesmo ano o EP homónimo. Em 2005 editaram o primeiro LP “What Is” e, reduzidos a um trio, laçam agora “La Résistance” numa edição de autor.

In Mundo Universitario