sexta-feira, 13 de março de 2009

O PÃO QUE A ASSEMBLEIA AMASSOU "FABULA ALADA"

Um periquito, enjaulado num fálico invólucro de arame canta à soalheira sexta-feira 13 a fatalidade do IVA sobre a alpista nos dias que correm, por vezes descansa e bica enjoado uma seca e enferrujada folha de alface, ali esquecida como um monte de entulho a ornamentar a margem de uma estrada secundaria.
Canta também o mal da subida do nível do colesterol, que aos poucos lhe vai entupindo as artérias por causa do consumo do pãozinho do seu dia-a-dia , um hábito que teme que num futuro próximo lhe leve a um enfarte do miocárdio. Atento às notícias da manhã e preocupado com a sua saúde vai saltitando do poleiro para a água, e da água para o poleiro, saudando a manhã num tirolês que aqui eu não ouso traduzir.
É sem traduções que possam ferir pombinhas leitoras que a manhã avança já velha, quando a patroa dá vida as pálpebras borradas da pintura da véspera e descobre nos lençóis o repasto da noite, um pão insonso que lhe atormenta a ressaca e que o periquito acentua na espera por uma gamela de alpista, de uma folha de alface fresca desinfectada com vinagre, isto porque os centros de saúde estão a fechar e nunca é demais pensar na saúde.
E o nosso periquito não anda aqui à deriva, avança à bolina na preocupação diária com a sua saúde, e atento navega pela rotina parlamentar desta manhã. Pois na assembleia alguns pardais repenicam o teor do sal no pão, e este é um assunto que lhe interessa pois este cicerone além de alado por natureza, tem uma gula por pão incontrolável!
E lá porque o pintassilgo voou para África, a pardalada não dormiu. E fez-se história, tratou-se da maleita ao periquito que com a conclusão parlamentar exclamou:
-haja Deus, que voarei na terra- feliz com o desfecho da história, e avançando tarde dentro, esquecendo as manifestações que não são contas do seu rosário...