quinta-feira, 5 de novembro de 2009

BATIDA - Danças Modernas Em Ritmos Antigos


Dos arquivos da música tradicional nacional angolana nasce, entre Luanda e Lisboa, um projecto que tira das ruas da capital africana uma sonoridade marginal. Esse movimento musical chama-se batida e dá o nome ao projecto que nasceu nas colunas da Antena 3, no programa ‘Fazuma’ pela mãos de Pedro Coquenão (DJ Mpula), Bruno Lobato (Beat Laden) e Luaty Beirão (Ikonoklasta).

Por Shampo Decapante | info@mundouniversitario.pt

A aventura na rádio começou a tomar contornos de projecto e o salto até ao disco, que mistura velhos ritmos africanos como o Semba e o Merengue a ritmos de dança contemporâneos como o Kuduro, aconteceu naturalmente. Os alicerces já tinham sido montados em África em jeito de compilações distribuídas pelas ruas de Luanda e tudo o resto aconteceu num ensaio para uma emissão de rádio ao vivo como conta Pedro Coquenão.
«Nasceu de um sistema sonoro que íamos ter na Casa da Música. A Rádio Fazuma às vezes actua num formato de emissão de rádio ao vivo e, como eu faço o programa num software que também dá para fazer música, naturalmente numa das vezes que estava a fazer um programa comecei a misturar uma batida que já existia, comecei a transformar uma música antiga e a incorporá-la num beat mais electrónico e num desses ensaios do sistema sonoro, meti esse beat a tocar e toda a gente reagiu muito bem.»

Raízes africanas
A viagem da música segue sempre nas pisadas do êxodo humano. A marca humana pode desaparecer indelevelmente, mas a da música poderá ser eterna. E, por vezes, basta uma memória para trazer de volta aquele som, neste caso pelo trabalho dos filhos de uma geração que ouvia os velhos ritmos angolanos, e que agora vive em Lisboa ou ainda em Luanda.
«A maior parte dos elementos do projecto cresceram a ouvir esta música. Era a música que os nossos pais ouviam e é a música que esteve sempre lá de fundo. Não somos propriamente conhecedores, mas somos pessoas que cresceram com ela.»

Primeira paragem: Brasil
Os Batida podem ser músicos, mas também podem ser arqueólogos a decifrar as descobertas ancestrais a montante e a moldá-las aos tempos modernos e aos seus descendentes directos como aconteceu no Brasil. Foi lá que os Batida se estrearam em concertos ao vivo.
«O concerto do Brasil foi muito fácil, quando é fácil é bom sinal. Nós entrámos e já estava toda a gente doida desde o primeiro instante. O concerto acabou e ainda estava tudo doido a dançar. Houve uma reacção instintiva ao beats. O Brasil tem relações muito fortes com África, relações históricas. Muitas das pessoas que lá vivem são descendentes directas de africanos, têm um diálogo grande ali com o outro lado do Oceano onde está Angola, então parece que as pessoas, mesmo sem pensarem nisso, reagem aos ritmos como se já os conhecessem há muito tempo, e têm uma curiosidade muito grande em relação a tudo o que venha de África e de Angola. Então tivemos uma recepção muito fixe por parte do público.»
Os Batida tocaram ainda na Holanda e na Bélgica onde também tiveram grande sucesso, apesar das diferenças culturais. E em Portugal onde acabaram de lançar o disco que promete meter muita gente a dançar nos tempos vindouros

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