quarta-feira, 1 de abril de 2009

QUASE UM ANO DE SHAMPO

Esta merda ainda cheira mal, então não é que ainda me mudam a fralda 3 vezes ao dia, isto tudo num corrupio de beijarolas capaz de fazer corar qualquer rapazola da minha estripe! Eu, que arqueado me esgueiro da solsticial aranha, a escorregar das rodas numa lunática batalha para vencer a gravidade, apenas por almejar a bondosa carteira maternal a baloiçar entre a mesa e a vontade de chuchar umas mínis para a secura, já que me sinto como uma miragem de um elefante num deserto, a baloiçar a tromba sobre o leito de um rio seco, e encetar o biberão pó caralho, ou que vá balançar como um cão no desespero da solidão, por uma alcateia que lhe dê rebanhos à vida, que de leite estou eu a delirar em pastilhas de LCD!
Os malfadados banhos aplicados por mão matrona antecedem ainda a rotina do abichanado pó talco aplicado no rabinho que com a elasticidade que ainda abusa do meu anormal corpo, leva-me a ginasticar o presunto e a lambuzar a narina. Antevendo um austero futuro, ou na casa de banho do Lux ou num escritório ali em Caxias, estas porras fazem do meu dia-a-dia uma labareda de flamejadas emoções. Só comparadas com a rotina diária de um qualquer ministro do Sócrates ou, não fossem esses meus cicerones também umas paupérrimas vitimas, do excesso de zelo de uma mãe extremosa a puxar o lustro as às palavras que brilham pela escancarada lábia governamental, a prometer um coelho achocolatado para adoçar a pascoa, ali por terras vimaranenses onde o berço lhes assenta que nem uma luva. Berço onde deitados não vêm as bastonadas dos G20, que algumas desavindas almas penadas recebem pacientemente em frente ao banco de Londres. Mas por Guimarães a bastonada cai em aforismos de "mais uma marca social" numa jornada de três dias, onde se dá com uma mão e se tira com a outra, de engodo na fralda a enfeitar o discurso governamental.
E este discurso cai aqui só porque dei por mim com quase um ano de infames infantadas mal-amanhadas e a vestir o BLOGSPOT de satíricos remendos e a bolçar ironia que espero que me perdoem, pois ainda sou uma criança! Sem mais demoras aviso que é já dia 24 de Abril. Ali na margem da liberdade que muitos crêem que nos querem foder novamente! Até lá o pardieiro há-de seguir.

Foto: Henri Cartier-Bresson