quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A INVASÃO DE BARRANCOS


Pois é amigos, a Russia assim ao de leve, assim como um Houdini a sacar de um coelho da cartola partiu as correntes do marasmo e tal como eu descasco uma pevide entrou Georgia dentro antes que os giorgianos fizessem à Ossédia do Sul o que os servios fizeram ao Kosovo.
Os norte americanos habituados à condição de policias do mundo lá refilaram com os russos através do seu líder supremo a marionete George W. Bush que lá foi bradando aos céus alguns desabafos e nada mais, já que neste momento Bush precisa tanto dos soviéticos como de pão para a boca para nas nações unidas tornar uma invasão ao Irão legal e onde talvez não se arrisque a caçar só fantasmas.
Quem sai reforçado da Ossédia do Sul são mesmo os russos como potencia mundial novamente, mas sem ter na ideia que quase criaram outra grande potencia mundial, falo-vos pois claro de Portugal!!!
De Portugal, esse pequeno país governado de maneira ainda mais pequena? Perguntam vocês incrédulos, mas eu explico:
Estava José Sócrates a assistir a mais uma matine dos morangos com açucar quando foi distraído da sua sessão novelesca por um desabafo de uma empregada que puxava o lustro ás pratas de são bento, por outra que disfarçava o pó a uns cristais enclausurados entre dois candelabros de bronze e um cão de loiça branco fretado a uma jovem sadina amante da novela Floribela.
-Tu já viste isto Etelvina? Em tempo de jogos olímpicos, com a supremacia norte americana ameaçada pela crise dos combustíveis, pelo preço do dollar e pela emergente economia chinesa que associada a um bang tecnológico os coloca como a provável potencia militar do novo seculo, acompanhados de perto pela Índia e até pelo Brasil, agora também os russos resolveram ressuscitar dos escombros da guerra fria e mostraram isso ao mundo invadindo um país sem dar explicações a ninguém, já viste onde este mundo vai parar mulher!?
José Sócrates retirou os olhos do vidro encantado nesse momento da lida do hemiciclo e reflectiu sobre as palavras sabiamente proferidas pela matrona das pratas e pensou alto "-olha ai está uma maneira de eu mostrar ao mundo como Portugal evoluiu no meu domínio-" e finalmente dom Sebastião saiu do novoeiro, como um labrego que sai do sofá com vontade de fazer xixi.
-Vamos invadir alguém para repor a paz no mundo!!!
-Olha Etelvina que o sr engenheiro fez xixi nas calças novamente, viste como ele saiu da sala a correr!?- Exclamou a experiente dona Gertrudes de mãos nas ancas.
Mas não, desta feita o sr engenheiro correu apenas até ao telefone para ligar ao presidente da sua secreta e lhe dar a boa nova.
-António meu malandreco tenho mais uma missão para ti e para os teus bons rapazes da asae!
A alegria entoava pelos corredores de são Bento, como o eco do bater de corações apaixonados.
-Vais invadir Barrancos e acabar com a vergonha dos toiros de morte, com o desplante do vinho servido a granel e com os incivilizados coiratos assados no carvão por homens suados sem luvas!
Ainda embriagado pela felicidade do seu chefe, António Nunes não reparou logo na ratoeira para a qual as palavras cantadas do seu mestre o conduziam. E num descuido deixou cair um cigarro aceso ao chão queimando a carpete marroquina do salão de chá onde jogava um poker de dados com a sua esposa.
-Invadir Barrancos sr primeiro-ministro? Não será melhor falar com o ministro da defesa meu amo? É que isso não é da minha rua, que raio vou eu fazer para Espanha? Desculpe que lhe diga mas foi mais fácil descobrir tinto em marte!!!
Afirmou o pobre homem já assustado e lembrando o patrão da missão ao planeta vermelho.
-Oh António, eu até ligava para o ministro da defesa, mas eu quero é atacar!!! Alem disso os submarinos do Portas só chegam em 2011 e a invasão tem de ser já, o tempo urge! E isto é da tua área, eu deleguei-te asas, ou a asae para meteres o bedelho em tudo meu campeão, vais atacar e conquistar barrancos aos conhos sem mostrar dó nem piedade como já ficou tua imagem de marca!
O nó da gravata apertou-lhe os gasganetes impedindo-o de engolir a saliva do pavor que ia nascendo a cada segundo que vivia, afundou-se no sofá suando fartamente das palmas das mãos almadiçoando o poker de reis que via no tabuleiro de jogo à sua frente e o sorriso vencedor da sua esposa, sentia naquele momento que lhe tinham delegado pior sorte que a do destino do cavaleiro no filme o sétimo selo do Ingmar Bergman.
-Oiça sr primeiro-ministro - falou pautadamente - não temos meios nem tecnologia de ponta para vencer... aquilo por lá é tão mau que ouvi dizer que até fumam nas repartições e nos transportes públicos, e não estou a falar de um avião fretado pelo estado à tap para uma viagem de funcionários públicos á america latina.
José Sócrates resolve então que tem que levantar o moral ao seu bom soldado, a este escravo da nação, a este mouro do erário público e disse-lhe:
-António, aquilo é como roubar um rebuçádo a uma criança, vais ver que ainda vens com a sacola dos berlindes cheia!
Mas antónio que já temia pela sua vida e pela sua sanidade mental e continuou a acobardar-se e a procurar desculpas.
-Oh meu bom chefe, o senhor não conhece aquele povo, eles são uma horda primitiva quiçá ainda canibais - desabafou passando a mão pela testa que pingava suor - aquilo é um restolho das tríbus selvagens que habitavam a península ibérica na idade média, quais vândalos, quais bárbarros, quais sobreviventes virgens de uma love parede, aquela gentalha mete em sentido uma ninfomaníaca com séculos de celibato ás costas na altura do cio...
Balbuciou um António já de olhos molhados.
-Olhe o sr que em tempos até conseguimos aprisionar um delas no big brother e não é que acabou por ser o único sobrevivente a tal tarrafal!!! Veja bem que o indígena se encontrava entre os piores vampiros siciais, entre calões que acordavam ao meio dia para se prostrar em frente ao espelho fazendo do jonny bravo um rapaz modesto, ou de meninas que para saltarem na sociedade não se importariam de passar uma semana comigo numa pensão de três estrelas ali nos restauradores, e até rapazes musculados de pila pequena a bater nas meninas , ele foi o único sobrevivente!!! Agora imagine um povo inteiro!?
Concluiu um ofegante e desesperado homem.
Mas José Sócrates ainda tinha alguns trunfos na manga e usou-os para motivar o seu peão.
-Oh meu bom rapaz - gritou-lhe num ralhete amigo - para isso há remédio santo, eu chego a um acordo com os americanos, eles ficam com os Açores que a bem dizer já não é nosso, e o Bush envia-nos o undertaker que ficou recentemente desempregado do wrestling para te ajudar na contenda, e olha que o Bush também enviara o Michael Bolton pois não irás enfrentar tal selvajaria sem um bardo, porque um bardo fica sempre de bom tom nestas aventuras meu bom heroi.
Mas o bom heroi não estava nada convencido, já verde de tanto tremer teve ainda uma restia de força para não ser o general de pavorosa batalha.
-Sr primeiro-ministro, isto não é missão para mim, isto é missão para um agente híbrido tipo o zero zero Castelo Branco, aposto mesmo com o sr que após o ataque de tal agente seria mais difícil encontrar vida em Barrancos que na lua...
José Sócrates já perdera a paciência com o seu Viriato invertido e disse-lhe num tom sério:
-António, tu não fujas com o cu à seringa que a vida não são só morcelas e alheiras, ele tanbém há alentejanos e trabalheiras! Vais, e vais mesmo!!!
E assim se virou mais um capitulo da história de Portugal, mais um capitulo em branco porque o fim meus amigos... eu não o conheço. Talvez por causa de mais um nevoeiro maroto a pregar partidas à história da nação, ou talvez o António tenha tirado mal as medidas ao enchimento do caudal do Alqueva e se tenha fidido afogado... deixando assim as glorias do país mais uma vez adiadas. Mas desejo-lhe do fundo do meu coração, que esteja na paz do Senhor.