terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O DIA EM QUE O REI FAZ ANOS

Os meus pensamentos navegam por um Alasca de neves cerradas protegido por uma aurora boreal, um barrete psicadélico e eu prometo que não tomo mais daquelas merdas maradas até porque é segunda-feira 15 de Dezembro de 2008, e são poucos os motivos que me elevam os passos à burguesia de um jantar aniversariante de uma polar segunda-feira.
As grades do fim-de-semana ainda se encontram por limar e o nosso carcereiro dorme a ressaca da sua vida. A gripe da molha da manhã de domingo casou com o pente 3 fabricado sexta-feira à tarde na cadeira de um talhante capilar, gerando uma enfermidade no vosso super heroi, um simples Bom vivant esfomeado da passada lua cheia a transpirar a luxúria da carne a escaldar. A tarde fria nasce numa convulsão de desculpas pelo leixões ter abreviado numa explicação lógica a condição do futebol lampião do novo século, e pelo anti jogo do Guimarães que veio ao Bonfim usurpar a taça ao meu vitoria, equipa amada, equipa sofrida e equipa eternamente roubada em campo... O encontro que pensamos ser breve, deu-se no Baco. Um bar de mesas e bancos de madeira a enfeitar uma parede de doce pedra encrostada. Bebeu-se o que a gripe não permitia e o que a vergonha nunca irá esconder. A música ainda consegui escolher eu, the dandy warhols love almost everyone a iniciar o encontro, substituídos depois pelos the smiths. É que a segunda-feira pede pouco mais que as nossas bandas favoritas... No aperitivo final servi o beaster dos sugar que de pronto foram confundidos com os my bloody valentine.
O passo curto endireito-nos os costados à toca do caboz, um novo e amigo pasto enfileirado nas rústicas linhas de uma fonte nova que nos ampara o bailado todos os fins-de-semana. A batalha épica da dança dos pratos cresceu numa agressiva gula que deu lugar à guerra dos tribais talheres e da minha dislexia em posiciona-los na mesa. Os rugidos da refeição num tom desafiador tocaram à aglomeração dos convivas, o prado da colheita do jantar rejubila entre o verde doce da erva fresca e o lilás de flores campestres... Não, não é verdade. A verdade é que nos sentamos entre pratos de queijo fresco e de orelha de porco de ornamento tabelesco e algumas fitas coloridas a lembrar o natal. Depressa o barulho afastou os primeiros protagonistas aproximando as frias almas de uma providencial saborosa e escaldante massa de peixe que muito me lançou para as travessas de leitão que amesaram num pagode de copos a esgotar sangrias de espumante fresco.
O aniversariante jantar tomou rédeas de festim quando o aniversariante foi servido com a cabeça do bácoro, os pesados casacos de inverno deram lugar a vestes de um burlesco romano imperial a descobris os incautos ombros e a luxúria desabou sobre a mesa. A sangria tinta escolheu copos de chumbo ao vidro do século 21 e depois pouco me lembro. Fui para casa curar a gripe e como já me pesa na mão a caneta, esta crónica fica por aqui... É que conhecendo-vos como vos conheço ainda me vou arrepender da molha que me acompanhou para casa no domingo pela madrugada. Apesar de a esta hora me penitenciar entre canecas de leite com ovomaltine, e copos de aspirinas efervescentes a delirar no vidro como as tolas imperiais de Agosto...
Pabéns amigo Cerezo.