
O meu latido nunca foi imperialista, pois nunca me aventurei por terras do tio Sam. Rosnava sim, pelas ruas e vielas de Setúbal de pena em riste citando o poeta sempre que ladrava ao transeunte, fornicando as cadelas descuidadas de trela e de cio compostas.
Chamavam-me Pataroxa e sempre que as minhas aleijadas patas dianteiras me permitiam, saltava esta carcaça por cima do muro abolindo essa fronteira, para encontrar um mundo lá fora. Que numa última vontade, aqui guardo comigo. Seguia muitas vezes o Shampo sem que o totó me visse, uma vez fui no encalço do dono velho que se fez ao mar, pensam que me retrai pelo adamastor? Atirei-me ao Sado para embarcar na pescaria, mas acabei por ser pescado por um grupo de pescadores que embaraçados com a situação ainda me mancaram no focinho.
Em vida mordi carteiros e deixei filhos, só não plantei uma árvore nem li um livro, que isso é coisa de rotos. Sabia de antemão que se o fizesse acabaria por escrever num blog como este palhaço!
Não resisti a um contra-tempo e finei na doença, vida de putas dá nisto. Só não tenho aqui uma foto, porque este panasca do Shampo morria de medo que eu lhe arrancasse um bracinho no momento da foto. Abandonei-vos há coisa de um mês e sei que no esquecimento, cedo cairei Mas fui um cão! Um gajo muito cão! Não uma papoila de um LAMBE-DOG-MILLIONER a ser paniscas num jardim imperialista. É que um cão americano, é um cão amaricado!
ASS:Pataroxa